Conheça a história de Ernest Shackleton em que foi baseada a música “The Gathering Storm” do Perc3ption

Conheça a história de Ernest Shackleton em que foi baseada a música “The Gathering Storm” do Perc3ption

A clássica banda de Power/Prog Metal paulista, Perc3ption, lançou em Março de 2023 o seu aguardado terceiro álbum de estúdio, “Art In Extreme Situations”, que além de estar obtendo excelentes críticas e repercussão em todo o mundo por sua musicalidade, também é marcado por temas e letras excelentes sobre os mais variados assuntos.

De Anne Frank a Van Gogh, do Holocausto ao Dia D, o álbum possui letras complexas, profundas e carregadas de propósito, significado e excelentes histórias.

“The Gathering Storm”, a segunda faixa de “Art In Extreme Situations”, nos conta a história de uma figura pouco reconhecida, e que merece nossa atenção. Então, nesta breve matéria falaremos um pouco sobre o personagem central desta canção, o explorador Ernest Henry Shackleton, e suas referências na música do Perc3ption.

Ouça “The Gathering Storm” abaixo:

Ernest Henry Shackleton foi um reconhecido explorador polar britânico que conduziu três expedições britânicas à Antártida. Shackleton foi um dos principais nomes do período que ficou conhecido como Idade Heróica da Exploração da Antártida.

“The dawn has come. Sometimes you have to go with the waves. Into the unknown”

Nascido em 1874 no Condado de Kildare, na Irlanda, Ernest e a sua família mudaram-se para Sydenham, nos subúrbios de Londres, quando ele tinha apenas dez anos de idade. Sua primeira experiência nas regiões polares seu deu como terceiro-oficial na Expedição Discovery liderada pelo capitão Robert Falcon Scott, entre 1901 e 1904, da qual teve que retornar para casa mais cedo em virtude de problemas com escorbuto, uma doença causada pela deficiência de vitamina C muito comum na época. Decidido a superar este fracasso pessoal, Shackleton retornou à Antártida em 1907 liderando a Expedição Nimrod. Em Janeiro de 1909, ele e mais três parceiros realizaram uma jornada para o sul que estabeleceria uma nova marca, Farthest South – latitude 88° 23′ S, a 180 km do Polo Sul. Por esta conquista, Shackleton recebeu o título de cavaleiro pelo rei Eduardo VII quando voltou para casa.

Depois da longa trajetória ao Polo Sul ter se encerrado em Dezembro de 1911, Ernest Shackleton voltou suas atenções para aquele que ele considerava ser o último grande objetivo da exploração Antártica: atravessar o continente de mar a mar, passando pelo polo. Para prosseguir com este projecto, Shackleton preparou a Expedição Transantártica Imperial (1914–17). A expedição não correu bem, com o navio, Endurance, que ficou preso no gelo e foi lentamente esmagado mesmo antes da tripulação conseguir desembarcar.

“When a mistake costs you death. Should teach you difficult lessons. How would you know where you are? Without exploring beyond your comfort zone?”

Seguiu-se a esse episódio uma série de expedições, e um salvamento in-extremis sem, no entanto, perdas humanas, que garantiria o estatuto de herói a Shackleton. Em 1921, regressou à Antártida com a Expedição Shackleton–Rowett, na intenção de dar suporte a um importante programa científico. Antes mesmo de a expedição ter começado os seus trabalhos de pesquisa, Shackleton veio a falecer de deficiência crônica de vitamina B1 (Diferente do que se noticiou na época, em que foi relatado um ataque cardíaco), enquanto o seu navio, Quest, estava ancorado na Geórgia do Sul. A pedido da sua esposa, Ernest Shackleton foi enterrado ali.

Em sua vida pessoal Shackleton era, geralmente, ansioso e insatisfeito. Em sua busca por saídas para o seu bem-estar e segurança, deu início a vários negócios, mas todos fracassaram. Seus assuntos financeiros eram habitualmente bagunçados e quando morreu encontrava-se substancialmente endividado. Após a sua morte, foi elogiado pela imprensa, mas acabou por ser, em larga medida, esquecido, enquanto a reputação do seu rival Scott foi mantida por muitas décadas. No século XX, Shackleton foi “redescoberto”, tornando-se uma figura cultuada, um modelo de liderança que, em circunstâncias extremas, mantinha a coesão na sua equipa numa história de sobrevivência, descrita pela historiadora polar Stephanie Barczewski como “incrível”.

“The strongest heart. Have the most scars. We had reached the naked soul of man”

Seus atributos de liderança marcantes são lembrados até hoje, especialmente devido ao sucesso alcançado nas operações de salvamento da Expedição Transantártica Imperial. Seu caráter é sintetizado na derradeira frase do livro “Shackleton’s Boat Journey”, de F. A. Worsley, capitão do Endurance, como: “As suas características mais marcantes são o seu cuidado e atenção para com o bem-estar de todos os seus homens”.

Confira a letra completa de “The Gathering Storm”:

We have come so far
At the end of the world
The ship presented a painful
Spectacle of chaos

The defenses we have built
Collapsed in a second
The outside world didn’t know
We were lost in the darkness

Suddenly we emerge in infinity    
Things that human words can’t describe

The endless cold
I wonder if my mind is reeling
And days go by

The dawn has come
Sometimes you have to go with the waves
Into the unknown

When a mistake costs you death
Should teach you difficult lessons
How would you know where you are
Without exploring beyond your comfort zone?

The strongest heart
Have the most scars
We had reached the naked soul of man

Ouça abaixo o álbum “Art In Extreme Situations” na íntegra:

A Pré-Venda do disco “Art In Extreme Situations” em versão Digipack + Camiseta está disponível em www.perc3ption.com/aies. Saiba mais sobre a Perc3ption através do Instagram @perc3ptionband

Referências: 

Revista Galileu: Doença misteriosa de explorador da Antártida é solucionada após 120 anos. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2021/05/misteriosa-doenca-de-explorador-da-antartida-e-solucionada-apos-120-anos.html

Alexander, Caroline (1998). The Endurance: Shackleton’s legendary Antarctic expedition. London: Bloomsbury. ISBN 0-7475-4123-X

Jones, Max (2003). The Last Great Quest. Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-280483-9

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